Olhar mortífero e decote pronto a disparar.
Arquivos para a Categoria ‘Mulheres’
Mulher-bomba series [episódio 1]
Novembro 20, 2008Electric Dreams
Novembro 11, 2008Um sorriso. Dois braços bem em meu redor. Pode ser um beijo também. Se não fôr abusar da sorte, um bebé de nariz em quarto crescente e olhos felizes. E pronto. Acho que assim está bem.
Eco
Outubro 30, 2008Sem ideias, nem tema para conversa escrita, o som do silêncio pode reproduzir um ruído muito semelhante a uma repetição distante. Estes são os momentos certos para calar e experimentar uma outra forma de comunicação: a escuta. Nem sempre temos a percepção correcta de como podemos dizer as palavras certas estando apenas na disposição de ouvir.
Le marriage
Setembro 23, 2008Atentemos no “barulho” que por aí anda sobre o casamento entre homossexuais. É mesmo preciso conversa pública? É mesmo necessário existir ainda discriminação quanto ao género de um vínculo legal entre duas pessoas que se amam ou que pretedem uma vida em comum? Sim, tanto “barulho” para quê? Peço um motivo, único, válido, lógico, racional, intelectual ou humano para impedir a legalidade do casamento entre homossexuais.
O país continua a assobiar para o lado, os legisladores viram a cara, os governos sucedem-se com a nulidade uns dos outros… Enfim… Tudo na mesma, tudo igual. Sem espaço, de facto, para a dita diferença.
Está aí à porta um ano de eleições e todos querem a absoluta maioria dos votos. Nem que seja uma maioria absolutamente estúpida.
Proibido, e por decreto lei, deveria ser o casamento dos portugueses com os políticos cá do burgo. Talvez um dia Portugal decida divorciar-se dessa gente.
il nome mio nessun saprà
Setembro 22, 2008Mesmo que por encomenda fosse, a tarde de hoje não podia estar mais de acordo com a tarde de hoje. Lá fora acontece a extraordinária beleza de um dia horrível. Um olhar, por entre as janelas, encontra, por causa da chuva ininterrupta, nas casas, nos carros e nas pessoas, encontra um som. Encontra um surdo surdo de quem enlouquece. Encontra a banda sonora da própria loucura.
O louco baixa a guarda. Fecha a janela. Procura o tom certo, sopra o pó dos discos. Nessum Dorma. “ guardi le stelle, che tremano d’amore e di speranza… Ma il mio mistero è chiuso in me, il nome mio nessun saprà” . O louco prepara a morte com método. Começa, pára, recomeça. Idealiza, genializa, na solidão perfeita dos próprios intentos. E então, com método, encontra metáforas, faz o faz de conta: a agulha é uma arma; o disco é a cabeça; a música, uma bala.
O princípio da morte é o som poderoso de uma música. É um tiro. As voltas do disco são uma bala filmada em câmara lenta. A voz do cantor lírico é um filme em marcha atrás da vida inteira. Como se vê nos filmes, aqui, a voz do cantor lírico desenha imagens, fotografa momentos. “Ed il mio bacio scioglierà il silenzio che ti fa mia !”
Durante toda a viagem da bala, quase morto, canta o original italino aqui traduzido assim: “Esvaneçam, estrelas… Ao amanhecer eu vencerei! Vencerei! Vencerei! ” E morreu nesse preciso instante, na exultação da liberdade.
Para quem fica, fica isto: e agora falem, digam, desdigam. A liberdade do louco acabou com a vossa. Com ele morto, que vos resta, ó séquito de bestas, para sussurrar? A vossa liberdade de devassar a vida dele morreu com ele. Os estilhaços ficam convosco, em forma de remorsos. Chorem lágrimas hipócritas ou soltem risos verdadeiros. Mas que ninguém esqueça uma frase antiga: quando eu morrer não chores por mim. Posso estar a divertir-me.
”Ma il mio mistero è chiuso in me”
Nessun Dorma.
Excertos do Futuro [1]
Setembro 19, 2008Embrulho neste texto planos para um domingo à tarde. Há-de ser numa hora de luz branda, encontrados no coração da cidade, numa praça do passado. (continua)
Um diálogo ao acaso com uma mulher
Junho 19, 2008
- Mas sabes qual é o sonho da minha vida?
- Qual?
-Poder viver da escrita. Ou melhor: ela poder viver depois de eu morrer.
- …
- Mas não tenho tempo para escrever. Ando muito ocupado a viver…
- Tu não andas a viver. Andas a sobreviver.
Suécia no retrovisor
Junho 3, 2008…rostos suaves, cabelos de perdição, muita cor no olhos. Aqui, no norte da europa, as mulheres trazem no olhos o mar na linha do equador. Talvez os corpos sejam areira branca e promessa de calor dos trópicos.
Homem temporariamente só
Abril 27, 2008A noite entra pela janela sem convite. Esperava por ela desde a hora do almoço e como vem mais tarde nestes dias onde o tempo ainda não sabe muito bem o que fazer ao quente e ao frio, porque ela tardava, quando veio, já não contava com ela.
A noite teve a felicidade de chegar com a voz de Antony Hegarty. Quero com isto dizer que me apanhou rendido, sem medo de nada, desligado. Vivo. A noite entrou sem convite, vinha com um resto de mar sobre os ombros. Disse à noite que isto não são lágrimas: é um rio sem barreiras naturais nos meus olhos. Nestes dias não sei ainda muito bem o que vai ser do quente e do frio dos meus passos. Tenho a certeza de tudo aquilo que não quis. Rendo-me. Entrego o meu corpo. A minha voz. Os abraços e os beijos. Entrego a força e os sentidos. Entrego vida, as minhas cores. Entrego todas letras. Faz palavras boas, dança em todas as frases, ri dos pontos e das vírgulas. E nas interrogações, chama por mim.
Sou a metade. O futuro. Completa-me.
Uma forma de plágio*
Abril 17, 2008Isto não é, isto não é um texto. Isto é um escudo, isto é charme…com o teu nome.
Com este ritmo, com estes versos, estou protegido. Isto não é um texto, é um espelho com o teu nome. Escrevo. Sinto a tua falta quando fores embora.
Os teus olhos, veneno de uma caneta; a tua língua, de serpente.
E se me perguntarem: isto não é um texto. É um espelho com o teu nome. As minhas palavras vão sentir a tua falta quando fores embora.
* esta é uma tradução livre e adulterada de uma música de James: we´re gonna miss you when you´re gone. passou ao lado do grande público, infeliz ou felizmente
