Homem temporariamente só

By António Reis

A noite entra pela janela sem convite. Esperava por ela desde a hora do almoço e como vem mais tarde nestes dias onde o tempo ainda não sabe muito bem o que fazer ao quente e ao frio, porque ela tardava, quando veio, já não contava com ela.

A noite teve a felicidade de chegar com a voz de Antony Hegarty. Quero com isto dizer que me apanhou rendido, sem medo de nada, desligado. Vivo. A noite entrou sem convite, vinha com um resto de mar sobre os ombros. Disse à noite que isto não são lágrimas: é um rio sem barreiras naturais nos meus olhos. Nestes dias não sei ainda muito bem o que vai ser do quente e do frio dos meus passos. Tenho a certeza de tudo aquilo que não quis. Rendo-me. Entrego o  meu corpo. A minha voz. Os abraços e os beijos. Entrego a força e os sentidos. Entrego vida, as minhas cores. Entrego todas letras. Faz palavras boas, dança em todas as frases, ri dos pontos e das vírgulas. E nas interrogações, chama por mim.

Sou a metade. O futuro. Completa-me.

2 Respostas para “Homem temporariamente só”

  1. Carriço Diz:

    A metade que és será sempre mais perto do completo com Antony.

    Abraço

  2. Mojo Pin Diz:

    Antony. Deixa-nos mesmo assim.*

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