Quando chegar o momento certo: cria um personagem.Escolhe o sexo, dá-lhe um nome. Contorna-lhe os olhos com um lápis preto, sempre, em qualquer dos casos, independentemente do género. E que tenha o cabelo molhado. Que traga as roupas encharcadas. As mãos podem estar estar juntas, sobre a nuca, com os dedos entrelaçados. Que caminhe como se tivesse o cano de uma arma cravado nas costas. Que essa pistola apontada seja o seu passado.Deve caminhar às primeiras horas da luz do dia. O sol pode estar a ganhar força às nuvens brancas. Ainda deve correr alguma água no alcatrão.As ruas, imagino-as sem vida. Como numa manhã de domingo. Como no princípio de uma manhã de domingo.
Revelo o nome do personagem: chamo-lhe “Crónicas do Norte”. Deixo que seja do sexo masculino. Há-de contar histórias, encher páginas, verter lágrimas.
Aparece em letras, sem dia marcado.