e abraçar 2009:RÁDIO MUNDO
(http://radio-mundo.blogspot.com). desculpem lá qualquer coisinha, mas depois de um ano como 2008, a mudança desta vez tinha mesmo mesmo de ser.
despedir de 2008
Janeiro 6, 2009Go Eddie!!
Novembro 28, 2008Ai que monumental peça de música. Daquela que diz coisas. A banda sonora do filme Into the Wild. Senhoras e senhores, convosco, Eddie Vedder.
Portugal portátil
Novembro 27, 2008Portugal é um computador pequeno. Governado pela exclusão de partes. A oposição tem uma primeira fila do tempo da outra senhora. E nas filas de trás, a oposição bem que pode berrar e espernear, da esquerda à direita, porque de tão atrás estar na fila da oposição, o ruído não chega ao destinatário. Por mais que pressionem o botão do volume.
Portugal é um homem comprado, um banco de amigos. É um espelho partido. É relvado e campo de bola, um gritante apito final. É o barulho do giz na ardósia. E como ele, Portugal incomoda, mas no fim sobra só o pó que se sopra para o lado.
Portugal é um surdo e vê mal. Está para aqui moribunbo. E o pior é que já não se lembra; nem sequer de quantas teclas são precisas para fazer… re-start.
Mulher-bomba series [episódio 1]
Novembro 20, 2008Olhar mortífero e decote pronto a disparar.
Auto-retrato
Novembro 18, 2008A isto chama-se escrever para dentro. Não será uma visita prolongada ao espelho; antes uma fotografia com letras. Isso mesmo: um momento. Porque o que por aqui se dirá agora, só dirá respeito a este agora e não mais do que isso. Vamos a isto, mãos à obra pelo que está à vista; pela parte de fora desta embalagem de gente. Vou pelas mãos: estão sempre expostas, sempre “à mão”, mas nunca estão no ponto de mira. Raramente olhamospara elas, melhor, raramente reparamos nelas. Vejo-as iguais, do mesmo tamanho desde não sei quando, com as minhas linhas, os mesmo nós. Da parte de dentro das mãos já nem falo. Essa está como desde sempre. Uma impressão pessoal única.
Estou sentado a meia dúzia de passos do mar. Está frio. Pouco frio, mas frio. O sol espreita por fim. Vem lá do alto, por cima de nuvens brancas e cinzentas. O sol vem devagarinho, gosto de dizer que chega numa velocidade tímida, mas talvez não seja por isso. Talvez o sol também esteja com frio e não tenha muita vontade de sair de casa. A luz do dia reflecte-me o rosto no ecrã do computador. Salienta-me a barba. Preguiçosa, com um ar de quem já não faz nada há uma semana. Os pêlos vivem felizes numa desordem caótica, mas ao mesmo tempo democrática, livres para decidirem para que lado crescer. E eu gosto. Rebeldes, dão uma vida diferente às linhas de uma face emagrecida.
O casaco. A camisa, as calças e as sapatilhas tapam um corpo em mutação. Foram-se os quilos, 10, e vieram as formas. Lisas, endurecidas, definidas. E eu gosto. E gosto acima de tudo da expressão malandra dos olhos. Têm à volta o que mais aprecio em mim: as rugas, caminhos marcados na pele. Lembro-me dos ombros e lembro-me da palavra força. Os braços dizem-me esforço. A barriga, exercício. Os pés e as pernas suportam tudo isto com um sorriso que me transporta para todo o lado. O que está assim mais à vista, por fora, talvez seja apenas a metáfora perfeita de tudo aquilo que acontece cá por dentro. Hoje sou um dia de paz. E até gosto.
Electric Dreams
Novembro 11, 2008Um sorriso. Dois braços bem em meu redor. Pode ser um beijo também. Se não fôr abusar da sorte, um bebé de nariz em quarto crescente e olhos felizes. E pronto. Acho que assim está bem.
Eco
Outubro 30, 2008Sem ideias, nem tema para conversa escrita, o som do silêncio pode reproduzir um ruído muito semelhante a uma repetição distante. Estes são os momentos certos para calar e experimentar uma outra forma de comunicação: a escuta. Nem sempre temos a percepção correcta de como podemos dizer as palavras certas estando apenas na disposição de ouvir.
Le marriage
Setembro 23, 2008Atentemos no “barulho” que por aí anda sobre o casamento entre homossexuais. É mesmo preciso conversa pública? É mesmo necessário existir ainda discriminação quanto ao género de um vínculo legal entre duas pessoas que se amam ou que pretedem uma vida em comum? Sim, tanto “barulho” para quê? Peço um motivo, único, válido, lógico, racional, intelectual ou humano para impedir a legalidade do casamento entre homossexuais.
O país continua a assobiar para o lado, os legisladores viram a cara, os governos sucedem-se com a nulidade uns dos outros… Enfim… Tudo na mesma, tudo igual. Sem espaço, de facto, para a dita diferença.
Está aí à porta um ano de eleições e todos querem a absoluta maioria dos votos. Nem que seja uma maioria absolutamente estúpida.
Proibido, e por decreto lei, deveria ser o casamento dos portugueses com os políticos cá do burgo. Talvez um dia Portugal decida divorciar-se dessa gente.
Boxeur
Setembro 23, 2008[continuação]
Tudo o que tinha era o corpo. Tudo o que tinha era velho, doente, usado até. Tudo o que tinha eram os últimos dias de vida. Tudo o que tinha era ele. Um rosto fechado e magro. Cabelo escasso e cinza. Pele sobre os ossos, comida pelo sol, e rugas. Fisicamente ele era meia dúzia de adjectivos pardos. E fisicamente sentia-se assim. As emoções tinham o mesmo tom infeliz. E ele, comandante solitário daquela vida dorida, lembrava-se de ser como está hoje em dia, desde sempre. Quando puxa os dias atrás, precisa de uma força de mil homens para recordar. Por norma está deitado quando inverte a curva do tempo e viaja aos dias mais antigos. Fecha os olhos e só ao fim de algumas horas consegue arrastar a memória para lá das lembranças de adulto. Imagina um escritório abandonado. Vê-se a abrir metade de uma portada de madeira para deixar entrar uma faixa de luz. O pó dança compacto e a dança sufoca. Tenta evitar, mas tem de tossir. Esta pausa é click obrigatório para a jornada de regresso. Tosse, pára, retoma respiração normal, volta a fechar os olhos. E então sim, está no Outono dos calções de flanela, suspensórios escuros, camisa russa por dentro do calções, meias pelo tornozelo, botas de sola dura. A imagem, dos pés à cabeça, termina sempre num boné castanho
[continua]
Requiem
Setembro 22, 2008Adeus aos dias e às noites. Adeus ao nome, às vidas, aos artistas. Adeus à cor destes cabelos, ao vento preso a eles, à chuva que os molha. Adeus ao chão desta viagem, às paragens, às andanças, aos avanços e aos recuos. Adeus por tudo, adeus por nada. Adeus assim como quem vai, adeus assim para quem fica. Um beijo quente, um abraço forte. Adeus aos gestos, aos rumores, aos amigos, aos amores. Um beijo forte, um abraço quente. Adeus para sempre.
